28.11.11

Odeio funerais. Calculo que a maior parte das pessoas também não goste. Tento evitá-los os mais possível, tanto que, em menos de um quarto de século de vida só fui a três. Dois deles porque era inevitável, familiares demasiado próximos e este último, por questões relacionadas com a distância e porque não queria que a mami fosse sozinha. Os filhos também servem para estas coisas, não é só para pedir dinheiro.

 

Já não me lembrava o que é ver as pessoas a sofrer pela perda de alguém próximo. Isso custa. E custa também imaginar que aquela pessoa ali a chorar podia ser eu e que aquele pai ali deitado com ar de morto, podia ser o meu. Mas são pensamentos que depressa têm que nos abandonar, porque aquela não é a nossa realidade, e a lei da vida diz-nos que chegará a nossa vez. Também acontece que, por vezes, a lei da vida é uma parva e troca-nos as voltas. Nunca sabemos.

 

Há uma série de procedimentos e coisas que se fazem que para mim não fazem grande sentido e outras que eu nem sabia, como não  abandonar o morto.

 

Eram 8h30 da manhã e estava frio,

Filha do defunto: Vamos ali à cafetaria beber qualquer coisa quentinha.

Mami: mas não vamos todas, vão primeiro vocês as duas que eu vou depois. Não vamos deixar aqui o corpo sozinho.

Eu: Oh mãe, mas ele não foge...

 

Não, eu não disse aquilo, foi só uma enorme tentação de o dizer, mas o respeito por alguém que sofria fez-me estar calada.

E não nego também, os pensamentos que me assolaparam quando por alguns momentos fiquei sozinha na morgue com o morto. Sou uma medricas é o que é...

 

link do post Pra lá das 5, às 09:30  ver comentários (4) comentar

 
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